DEPOIMENTO DE EX-FUMANTE Entre aqueles que me conheceram como fumante, ninguém acreditava que, um dia, eu conseguiria parar de fumar, inclusive a minha mulher, tal era a imagem de estar sentindo enorme prazer, que passava, quando fumava, dando longas e profundas "tragadas". Comigo, cigarro não queimava no cinzeiro. Foram 40 anos investindo no tabagismo, cujos recursos, se poupados, teriam permitido que eu adquirisse outro imóvel. Nessas condições, considero-me plenamente qualificado para proclamar, alto e em bom som, que o prazer de fumar é incomparavelmente menor que o prazer de largar de fumar, mormente se o abandono do vício ocorre espontaneamente, sem nenhuma "pressão" médica, ou familiar. Hoje sinto-me mais poderoso que a Souza Cruz, a R.J. Reynolds, a Phillipe Morris e seus "marketeiros". Sinto-me mais atlético que os "esportistas" dos comerciais dos cigarros Hollywood, mais valente que o "cowboy" dos comerciais dos cigarros Marlboro e mais sedutor que o "machão" do cinema norte-americano, Humphrey Bogart, morto prematuramente, graças ao vício de fumar. Vencer um rolinho de papel, contendo no seu interior nicotina e respectivos venenos, não chega a ser um ato de extremo heroísmo, mas, pode significar que nem todo fumante é tão covarde quanto pensa. E não me venham com aquele papo de "preferir ser um rato feliz que um leão frustrado", porque isso não cola. Romeu Prisco
Escrito por Romeu Prisco às 10h48
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