DE UM CORINTIANO AO SR. BELLUZZO, PRESIDENTE DO PALMEIRAS Romeu Prisco Na qualidade de corintiano roxo, obviamente, não morro de amores pelo Palmeiras. Todavia, esta condição, igualmente, não me leva a ser 100% antipatizante do Palmeiras, até porque tenho descendência italiana, aliás, mais precisamente, tenho dupla cidadania, obtida legalmente. A sua memória não é tão boa quanto a sua língua. V. Sa. parece gostar de fazer o tipo folclórico-irônico-valente, o que demonstra que todos os clubes têm o Antonio Roque Citadini, que já foi tarde, e o Marco Aurélio Cunha, que merecem. No atual episódio de "lançamento" da camisa azul do Palmeiras, V. Sa. não está sendo, precisamente, o pioneiro da história. Ademais, essa de "resgatar a cultura dos imigrantes italianos" nada tem a ver com o assunto, só porque a seleção da pátria-mãe sempre usou camisa de cor azul. O azul da camisa da seleção italiana foi uma homenagem à Casa de Savóia, herdeira da coroa italiana, portanto composta de nobres, que, obviamente, não se encontravam entre os "plebeus" chegados ao Brasil como imigrantes, em busca de novas oportunidades. Quanto ao seu pretendido "pioneirismo", convém lembrá-lo, quiçá informá-lo, que o Palmeiras já usou camisa de cor azul, no jogo da final do campeonato paulista do 4º centenário (1954), contra o Corinthians, quando o Clube de V. Sa., então sob o comando de Paschoal Walter Byron Giuliano, seguiu a orientação de um Pai-de-Santo e se apresentou uniformizado com aquela aparência. A propósito: o Corinthians sagrou-se campeão ! Outrossim, ainda que não seja da minha alçada, aproveito o ensejo para dizer a V. Sa. que considerei a contratação, pelo Palmeiras, do técnico Muricy Ramalho, totalmente inconveniente, por motivos pessoais e não profissionais. Além de ser cria de um inimigo figadal do Clube de V. Sa., no campo e extracampo, Muricy foi o autor daquelas cenas circenses, no segundo tempo de um jogo do Palmeiras contra o São Paulo, disputado no Parque Antártica, ao fingir estar vomitando, porque teria sido, juntamente com seu jogadores, intoxicado no vestiário, por uma fumaça misteriosa, no intervalo da peleja. Não pretendo e nem quero entender mais de Palmeiras que o seu Presidente, mas, nesses lances, V. Sa. pisou feio na bola.
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Escrito por Romeu Prisco às 10h48
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ANTIFUMO, OU ANTIFUMANTE ? Romeu Prisco Desde 1983 sou um feliz ex-fumante, antes consumidor de cerca de três maços de cigarros ("king size") por dia. Destarte, sinto-me bem à vontade para opinar sobre este assunto. Diante da ostensiva incoerência da lei, que permite a livre fabricação e comercialização de produtos do tabaco, mas, que limita rigorosamente o seu consumo, fica evidente ser ela, lei, mais antifumante do que antifumo, chegando, inclusive, de acordo com o abalizado parecer de alguns ilustres juristas, fumantes e não-fumantes, à inconstitucionalidade. Os mesmos estabelecimentos comerciais, como bares e lanchonetes, que efetuam a venda de cigarros, devem obstar o respectivo consumo nas suas dependências internas. Todavia, o objetivo deste texto não é, exatamente, a abordagem dos aspectos legais da matéria, mas sim uma abordagem sumária do aspecto psicológico dos fumantes, principalmente daqueles mais esclarecidos, portadores de curso superior, como advogados, dentistas, engenheiros e médicos (o meu cardiologista é fumante !), plenamente conscientes dos inúmeros malefícios causados pelo tabagismo. Estes profissionais, usando das suas privilegiadas inteligências, são capazes de produzir verdadeiras obras-primas nas suas áreas de atividade, porém, são totalmente incapazes de produzir uma estratégia, autoaplicável, que os leve a deixar de fumar. Muitas são as desculpas desses e de outros fumantes: "ninguém é perfeito", "fumo porque gosto e porque me dá prazer", "tenho o direito de escolher a doença da qual vou morrer" e por aí afora. No fundo, tudo não passa de enganação. Entre eles, fumantes, a maioria absoluta gostaria de largar o cigarro, mas, se vê impotente perante o vício, senhor da vontade, donde ocorrem outras justificativas: "quero parar, mas não consigo", "já parei várias vezes, mas, acabei voltando", ou, o clássico "um dia eu chego lá". Assim, resulta claro que o maior inimigo do fumante é o próprio fumante, que desperdiça boa parte do seu tempo fumando e travando uma luta interna consigo mesmo.
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Escrito por Romeu Prisco às 09h51
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